Fibromialgia | Tratamentos Farmacológicos

O tratamento da fibromialgia é, por vezes, frustrante para o doente e para o médico. Em geral não existe uma terapêutica “standard”, cada doente terá que ter um tratamento individualizado que vise diminuir as dores locais e generalizadas, assim como melhorar o sono.
No momento actual não há cura para a fibromialgia, mas a qualidade de vida pode melhorar de forma significativa se houver uma terapêutica continuada e ajustada aos novos sintomas que surjam.
O tratamento farmacológico implica por vezes, o aparecimento de efeitos adversos que não devem ser confundidos com novos sintomas da doença.

Principais Grupos Fármaco/Terapêuticos

Anti-depressivos Triciclícos
Este grupo de fármacos é sem dúvida importante na abordagem da terapêutica da fibromialgia. Os mais importantes são: a - amitriptilina - (2,5 – 50mg ao deitar), que melhora não só a dor mas também a qualidade do sono; a - ciclobenzaprina - (10 a 30mg ao deitar), é um fármaco triciclíco com propriedades mio relaxantes e o seu efeito máximo atinge-se só ao fim de 1 a 2 semanas; a - doxepina – (2,5 a 75mg), também é um triciclíco com propriedades antihistamínicas; a - nortriptilina – (10 a 50mg ao deitar), tem menos acção sedativa que a amitriptilina.
Todos estes fármacos têm efeitos adversos, o que os torna por vezes intoleráveis para alguns doentes, são eles: sonolência, obstipação, secura de boca e olhos, cefaleias, alterações do ritmo cardíaco e aumento de peso.


Antidepressivos
Os antidepressivos das novas gerações como os SSRI (inibidores selectivos da recaptação da serotonina) têm sido prescritos em doentes com esta patologia com algum benefício.
Deste grupo fazem parte a fluoxetina, a paroxetina, a sertalina, a nefazodona (fármaco mais recente) e a venlafaxina. Estes dois últimos fármacos actuam não só a nível da serotonina mas também na norepinefrina.
Os efeitos adversos variam de fármaco para fármaco, mas não têm grande significado clínico. No entanto é de salientar a ansiedade/nervosismo, cefaleias, insónias, náuseas, alterações de humor e perturbações gástricas.


Ansiolíticos
São fármacos prescritos para tratar situações de pânico e ansiedade. Neste grupo incluem-se o - alprazolam - (0,25 a 1,5mg ao deitar); o - clonazepam - (0,5 a 1mg ao deitar), sendo útil nas mioclonias do sono e nos espasmos dos membros inferiores e o – lorazepam - . Em relação ao clonazepam, o seu uso exagerado pode provocar vertigens e sensação de queimadura na pele.
As propriedades antidepressivas e ansiolíticas destes medicamentos podem desencadear efeitos adversos marcados, tais como: sedação, amnésia, diminuição da coordenação motora, problemas de concentração, fraqueza muscular e o seu efeito pode ser aditivo.


Estimulantes
A fadiga, por si só, não é uma indicação formal para uma terapêutica sintomática. Contudo se a fadiga representa letargia ou sonolência diurna poderá haver necessidade de uma abordagem farmacológica. Alguns ensaios mostraram que a amantadina e o modofanil serão úteis.


Anti-inflamatórios não esteróides (AINS)
Este vasto grupo de medicamentos pode ser prescritos para alívio da dor e febre. Os mais utilizados são: o naproxeno, o ibuprofeno e o piroxicam.
A dor pode ainda se diminuída com a utilização do tramadol, os inibidores da Cox2 e Cox1 – celecoxibe e refecoxibe.
Todos estes fármacos são, normalmente, seguros quando usados cautelosamente, no entanto, também provocam efeitos adversos: lesão renal, hemorragia digestiva, dor abdominal, náusea e vómitos.
Alguns doentes adquirem dependência a esta terapêutica.


Relaxantes musculares
Considerando que na fibromialgia as contracturas e dores musculares são um dos sintomas mais relevantes, este grupo de fármacos desempenha um papel importante na melhoria da qualidade de vida do doente.
Assim temos: a – orfenadrina – (50 a 100mg 2 vezes ao dia), que é um analgésico e miorelaxante central. Os doentes deverão estar alerta que este tipo de fármaco provoca sonolência, logo a condução de veículos motorizados está contraindicada; a – ciclobenzaprina – também possui propriedades miorelaxantes significativas


Terapêutica Estrogénica
Estrogénios, porque a fibromialgia frequentemente surge quando a mulher atinge a menopausa. Alguns autores acreditam que a terapêutica de substituição pode ter benefícios para os doentes com fibromialgia, dando-lhes ainda protecção contra a doença cardíaca e a osteoporose.
Mulheres que tomam terapêutica estrogénica parecem adormecer mais depressa, terem períodos de sono REM mais prolongados e menores períodos acordadas. Este tipo de terapêutica deverá ser tomada ao deitar. Um estudo recente demonstrou que estes efeitos podem resultar da estimulação dos receptores estrogénicos dos mioblastos do tecido esquelético.
Outras hormonas como a FSH e LH têm sido estudadas neste grupo de doentes.


Anticonvulsivantes
Parece que alguns fármacos utilizados no tratamento da epilepsia podem ter um papel importante na abordagem de alguns sintomas da fibromialgia, como é o caso da gabapentina que melhora a síndrome das pernas inquietas (“Restless Legs Syndrome”).
Mais recentemente surgiu um novo anticonvulsivante designado por pregabalin, que na dose de 450mg/dia reduziu em 50% a dor neste grupo de doentes.
Os efeitos adversos que são dose/dependentes são: sonolência e vertigens.


Terapêutica Tópica
Considerando que muitas vezes as dores, na fibromialgia, são localizadas poder-se-á fazer uma terapêutica local com cremes, pomadas ou infiltrações.
O creme de capsaicina a 0,25% pode melhorar a dor em áreas específicas quando usado 3 a 4 vezes por dia, no entanto há que ter cuidado porque é extremamente irritante para os olhos. Outro creme bastante utilizado é aquele que é composto por salicilato de metilo com cânfora e mentol.


Por fim….
Fármacos e terapêuticas em estudo
Imunoglobulina Inespecífica
Hormona do crescimento (GH)
Guaifenesin
Corticosteróides
Dehidropiandrosterona (DHEA)
Suplementos Dietéticos
Vitaminas, Coenzimas e Minerais: AMP, Coenzima 10,Vit.B12.
Vit.C e A, Melatonina.

Nota: O magnésio é o mineral mais importante na fibromialgia porque a sua deficiência pode causar alterações físicas e emocionais. Parece que alterações do sono conduzem a uma hipomagnesiémia

IMPORTANTE -Todas estas novas abordagens terapêuticas ainda não foram validadas com estudos credíveis na Fibromialgia.

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